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Prostituição Infantil na Rodoviária de Brasília

Terça-feira, 05.07.11

 

 

 

 

 

 Grande maioria das garotas de programa que trabalham na rodoviaria ou em seus arredores são menores de idade, elas andam em bandos e dormem nas ruas. Arredias, ariscas, desconfiadas, agressivas. Se chegarmos um pouco mais perto, veremos uma outra realidade, elas apenas buscam um meio de se proteger e sobreviver, após o contato com várias meninas, pudemos constatar que muitas delas fazem parte de uma segunda geração de pessoas que já viviam na rua, ou seja, filhos de filhos da rua. Por aí já podemos entender que o problema é bem anterior e mais profundo do que podemos imaginar.

 

A desestrutura da família é um dos principais fatores que levam essas garotas para as ruas. Muitas dessas meninas já sofreram algum tipo de violência ou abuso sexual vindo de sua própria família e acabam fugindo para as ruas.  Outras, ainda, são incentivadas pela própria família a se prostituírem. Ao ganharem a rua, com o passar do tempo, perdem os vínculos com a casa e com a família, seduzidas pelos atrativos da rua. Acabam buscando refugio no mundo das drogas. 

 

 

Rodoviária de Brasília-

 

 

 

 

Conseguimos entrevistas de algumas garotas na rodoviária por intermédio de uma parente da Heloísa, (integrante do grupo), que já havia feito um trabalho semelhante no local.  Entrevistamos uma garota que se titulava por Dany, foi um dos depoimentos que mais nos impressionou, não só pelo conteúdo mais também pelo fato da entrevistada ter apenas 15 anos, ser viciada em drogas e ja ter dois filhos. Infelizmente ela não aceitou que a filmassemos, mais segue abaixo a entrevista que fizemos com ela:

 

 

 Tema Família:

 

1- Qual importância que você atribui a família em sua vida?

Muito grande, já que por não ter uma, ela se sente muito incompleta.

 

2- Você mora com quem? Possui filhos? Qual a sua relação com eles?

Possui 2, mais não vivem com ela. O Conselho tutelar chegou a prender os 3, mais ela fugiu e os deixou lá pois acredita ser melhor.

 

3- Sofre alguma rejeição e/ou discriminação por parte de sua família?

Não desde de que fugiu de casa , a família nunca a procurou.

 

4- Você tem ou pretende ter algum relacionamento fixo com alguém?

Ela ainda tem o sonho de casar na igreja de véu e grinalda, mas acha um sonho muito distante, quase impossível, pois se encontra em uma situação que nada favorece a isso.

 

5- O que levou a seguir esta profissão?

O abuso que sofria do meu padrasto. Sai de casa e preciso me manter, além de manter o meu vicio nas drogas.

 

 

 Tema Violência

 

1- Qual é o seu maior medo e o risco de sua profissão?

Apanhar como apanhava do padrasto.

 

2- Como é sua relação com suas companheiras de trabalho? Como funciona esta delimitação de espaço?

Elas são em 3 meninas, quem tiver menos doidona por causa das drogas, vai.

 

3- Já sofreu alguma violência física e/ou moral? Como reagiu em relação a isto? Gerou algum trauma?

As pessoas tem medo de mim, isso já um grande sofrimento pra mim. As vezes quando ando pela rodoviária, as pessoas me olham com um olhar de nojo, angustia e medo. Tenho muito receio disso e gostaria muito que isso mudasse.

 

4- Que medida você costuma fazer para se sentir mais segura?

Uma gilete na boca em baixo da língua ou entre os seios.

 

 

 Tema Saúde:

 

1- Qual o tipo de cuidado você faz com o corpo? (atividade física, alimentação, se dorme bem, etc.)

Não tenho tempo pra isso e nem condições. As vezes tomo um “banho de gato” quando a situação já esta bem drástica mesmo.

 

2- Como você se sente depois de um dia de trabalho?

Sinto muita tristeza por não ter ideia de quando vou poder mudar de vida, por saber que não tenho ninguém que se importa comigo e que gerei 2 crianças que talvez vão passar pela mesma situação que a minha e eu não vou poder fazer nada pra mudar.

 

3- Qual o método de prevenção mais utilizado? Como se adquiri? Já foi obrigada por alguém a não utilizar - los?

Não utilizo nada, vou do jeito que estou. As pessoas que me procuram não se importam muito com isso e como o “trêm” tem quer rápido, não perco tempo com isso.

 

 

 

 

 

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publicado por Déia Nascimento às 16:40





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